Ela parou por um segundo e observou. O seu mundo estava
congelado, apenas um estranho cinco metros a sua frente se movia. Foi o
encontro de olhares mais bonito que ela já tivera. Como se ele parasse de
caminhar também, ele sorriu. Ela sentiu uma sensação simplesmente
indescritível, de repente o mundo voltou a andar. Ele passou por ela, seguiu a
esquina dele, ela ficou parada na dela, desejando correr atrás e pedir mais um
sorriso, ou dois, um abraço. Quem sabe lhe oferecer um sorriso e um amor. Mas
ela não correu. Ficou parada, olhar perdido e aproveitando uma sensação que
nunca mais sentiria na sua vida.
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sábado, 28 de abril de 2012
segunda-feira, 19 de março de 2012
Em cada qual esquina me perco em borboletas. Não é uma esquina qualquer... Todas dizem ser uma esquina qualquer, mas não. É a esquina dela, a esquina que te faz feliz, uma esquina melhor que a minha. E eu? Eu perdida. Não sou achada, você me perde e assim ninguém me acha, você mais me esconde do que me perde, você me domina, você é um sensor! Você se vai, mas me alimenta. Tigres em jaulas, eles sim conhecem a liberdade que eu nunca vi. Passos falsos é apenas passos falsos, eu nunca me aproximo de você, eu estou sempre aqui parada. Mas como, me diga como consegue fazer com que eu acredite que o tempo para mim passa? Como me convence que ele está sendo realmente bom?
Explica-me como eu te espero olhando por essa janela, me diz? Mas a esquina, essa tal esquina melhor que a minha, aí existe um mistério que te prende, aí está seu coração plantado, e você nunca vai deixar essa esquina. Esse amor são apenas visitas, visitas que você faz a minha esquina, em datas especiais você vem visitar minha esquina, meu coração.
Mas eu preciso de mais do que visitas, eu preciso de um morador. Então por favor, tire esse aviso de "Perigo, urso!" da minha esquina, por alguém melhor do que você precisa me encontrar.
sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012
Sou do Norte, sou de Macapá!
Há 254 anos era fundada uma cidade com um nome estranho, uma cidadezinha de frente para o maior rio de água doce, uma cidade bem estranha, mas com grandes possibilidades de crescer. E cresceu.
Macapá já foi considerada Cidade Jóia da Amazônia. Hoje restam histórias de outros tempos dessa cidade. Voltando um pouco mais podemos ver que não passava de uma vila abandonada pelos portugueses. Vila essa que virou Cidade e que virou Capital. Apesar dos pesares Macapá é um ótimo lugar para se viver. Capital da Linha do Equador e Capital da Fortaleza de São José. Pesares esses que não são pequenos, Macapá se vê completando 254 anos em uma situação caótica!
Nunca escondi meu amor pelo Japão e tantos outros lugares desse mundo tão grande, mas pensando bem, eu jamais trocaria essa minha linda Cidade por outro lugar. Sim, essa Cidade é minha, é nossa. Não trocaria o mais belo pôr-do-sol que já vi na minha vida, ver o sol se pondo com Marco Zero como plano de fundo é uma coisa linda. Não trocaria o nascer do sol sobre esse rio, não trocaria esses batuques por nenhum outro som, não trocaria essa arte Tucuju por nenhuma outra.
Sou filha de uma terra que apesar dos maus feitos de seus filhos a eles continua sendo a mãe gentil.
Terra de índio como somos e de gente orgulhosa de bater no peito e dizer: Sou do Norte do Brasil, sou de Macapá!
Parabéns Macapá!
Texto escrito com a participação do meu pai, Moisés Dutra.
terça-feira, 20 de dezembro de 2011
Liberdade
Eu entrei novamente naquela sala onde tudo começou, silenciei e calmamente fiz uma oração. Pedi que tudo desse certo e que fosse feita a vontade dAquele que me rege, mas tudo foi mascarado. No fundo do meu coração, apenas eu e Ele sabíamos que a minha vontade não era essa, era que você viesse, me tomasse pelas mãos e pronto. Tudo mágico.
Vi os minutos se passarem, a cada passo dado do lado de fora meu coração batia mais forte, mas nenhum deles era você. Como consegui confundir a música dos teus passos com o barulho das pisadas de outros? Eu soube a resposta na hora, mas preferi omiti-la. Assim como prefiro mantê-la guardada agora também. Talvez você esteja se tornando apenas mais um. É difícil esquecer um amor, sabia?
O silêncio, que sempre fora meu amigo, agora me torturava. Prendia-me em meus pensamentos, em esperanças de que você abrisse a porta a qualquer momento. Mas a porta não se abriu, você não veio. Doeu como havia de doer, como estava determinado para doer, mas muito menos do que eu imaginava. Percebi que ali, no mesmo lugar onde tudo comeaçou, um ano depois, tudo estava finalmente acabado. Fui embora deixando todos os nós que me prendiam, doeu tanto, mas agora finalmente me sinto livre.
Meu bem, agora você é apenas mais um texto na minha gaveta. Esse é o fim de verdade, não a porta fechada aparentemente para sempre. Você é apenas lembrança marcada em papel, uma lembrança muito bonita, de um passado mais lindo ainda. Mas, meu bem, não importa o quanto sejas bonito, há um bom motivo para seres apenas passado. Há vários, na verdade, mas vamos terminar assim. Felizes para sempre, cada um do seu jeito e do seu lado.
domingo, 20 de novembro de 2011
O monstro do vestibular!
Hoje pela manhã eu fui fazer a segunda fase do vestibular. Comecei a minha prova com a maior tranqüilidade do mundo, História e Literatura, opa, minhas áreas preferidas. Um pouquinho de matemática, mas nada para ferrar muito. O problema foi quando comecei a fazer minha redação. Deixei minha cabeça ser tomada pela ideia de que tinha que ser a melhor redação do mundo, tinha que ser simplesmente perfeita, pois valia 50% da nota.
Erro fatal.
Rapidamente eu me desesperei. Podia fazer uma redação dissertativa ou uma narrativa com o tema “Preconceito: Uma dura realidade”. Eu já havia feito milhares de redações e narrativas com esse tema, deveria estar confiante, mas eu não estava. Comecei a riscar a folha de rabisco e parecia que nenhuma palavra era digna de estar ali.
Lentamente minha mente foi se acalmando e consequentemente, meu coração. Mas como? Simples. Eu sei escrever, mesmo que não seja muito, e aquela prova não era o fim do mundo, comecei a imaginar que era só mais uma das minhas folhas de papel e eu só precisava escrever o que se passava dentro do meu coração sobre o tema. E eu sabia que ali tinha coisas dignas de estar naquela folha.
Consegui terminar minha redação e prova em menos de uma hora e meia, e foi quando eu percebi que eu só precisava confiar em mim e que se eu não passar, tudo bem, o simples fato de ter chegado a segunda fase já é uma vitória.
Ps: Eu realmente terminei minha prova em uma hora e meia, isso era nove e meia da manhã, mas tive que esperar até onze para levar meu caderno de provas, maior tortura do mundo, gente!
quarta-feira, 16 de novembro de 2011
A menina do coração vazio
Não sei, não dá pra saber como ela nunca desiste dessas coisas. Ela quer amar, mas não se entrega, há meses que não sente seu coração pular, muito menos borboletas quando seus lábios tocam outros sabores. Ela é assim, reclama de estar sozinha, mas nunca olha para os lados.
De noite, no vazio do seu quarto ela se ajoelha e chora. Fica ajoelhada chorando até que as lágrimas parem, porque ela em si nunca cansa realmente. A garota levanta e se olha no espelho, odeia ver seus olhos vermelhos e o nariz que começa a inchar, porque é demasiada branca e qualquer coisa marca, jura que nunca mais vai chorar, mas no dia seguinte está lá novamente chorando. Vez ou outra ela arrisca uma oração, não sei bem o que ela sussurra, mas seus lábios mexem-se devagar.
Vive repetindo “Melhor coração vazio do que partido”, mas ela sabe que preferia mil vezes ter um coração partido pela simples sensação de estar amando, porque isso lhe garantiria que ela não é um monstro vazio e sem sentimento. Por que ela espera a sensação dos outros para se sentir completa ou ela mesma? Pobre menina.
E eu? Como sei da moça? Eu fico observando da janela do meu quarto. Às vezes ouço quando ela grita consigo mesma no espelho e tenho vontade de pular a janela do meu quarto para secar suas lágrimas. Sempre em vão, nunca pulei. Já quis muitas vezes me ajoelhar e orar com ela, já quis muitas vezes preencher o vazio. Mas ela nunca se entrega.
domingo, 13 de novembro de 2011
Defenestrar
Vontade de jogar tudo pela janela. É algo que se olhar pelo segundo sentido da palavra te fará bem. A prova que você não foi bem, jogue. O trabalho, jogue. O que mais vier na sua cabeça. Não literalmente – a não ser que realmente queira – mas às vezes é necessário algo forma de se livrar de tudo isso. Já é sexta-feira e não percebeu o quanto a semana passou rápida? Não percebeu o quanto acumulou? Procrastinar é quase uma masturbação, mas ela tem suas consequências. Aí surge a palavra que quase sempre acompanha procrastinar. Defenestrar. Faz tão bem.
Acostume-se a defenestrar algumas coisas, mas passe por uma peneira antes, o que for jogado ao vento pode nunca mais voltar. Algumas pessoas costumam se por de baixo de janelas a procura de algo que as interesse. Cuidado então quando for extravasar.
Ah, e no sentido literal da palavra, de acordo com dicionário Aurélio, defenestrar pode ser o ato de jogar pessoas de janelas com intenção de matá-las. Se for fazer, não fui eu que disse. Se for ao sentido figurado da palavra, tudo bem. Algumas pessoas são verdadeiros problemas. Depois elas ainda procuram por eles.
segunda-feira, 7 de novembro de 2011
Princesas imperfeitas
Colocamos na nossa cabeça, ou colocam, que devemos ter aquele ar de mistério para atrair as pessoas, mas ao mesmo tempo não ser misteriosa demais senão cansa. Temos que rir para todos, até mesmo quando tristes. E andar perfeitamente, como se tivesse um livro na cabeça. Porque se é curiosa demais vai acabar se metendo onde não deve. Se fala com todos é fácil. Nossa! Aquela ali é uma atrapalhada, nem chega perto dela.
Agora eu lhe pergunto, durante sua infância qual era o seu modelo da mídia? As princesas, não é? A maioria de nós cresceu lendo, ouvindo ou assistindo aqueles contos da Disney onde as princesas sempre arranjavam o seu príncipe, venciam o mal e viviam felizes para sempre. Ora, elas eram bonitas, mas não perfeitas.
A Cinderela era uma atrapalhada de carteirinha! Não se deu conta de que já era meia-noite, teve que sair correndo para não perder o encanto na frente de todos e ainda deixou o seu sapatinho de cristal cair. A Rapunzel falava demais, nossa! Senão fosse aquela mania de falar tanto a bruxa má não ia descobrir que o príncipe também estava subindo pelas tranças da menina, muito menos ia fazer amizade e se apaixonar por um desconhecido. E a Branca de neve? Ô menina curiosa! Não agüentou e teve que aceitar a maça da velhinha, e o pior, ainda escolheu a mais diferente!
Minha Vó já dizia “Há males que vem para o bem...” e a tia Clarice Lispector também disse outra coisa muito importante “Até cortar os próprios defeitos pode ser perigoso. Nunca se sabe qual é o defeito que sustenta nosso edifício inteiro”. Cada defeito, ou melhor dizendo, característica, das princesas fizeram elas serem especiais. Deixando seu sapatinho cair, o príncipe pode procurar pela sua amada. Senão fosse a mania da Rapunzel de falar demais, o príncipe jamais teria ouvido-a cantar e saberia que ali naquela torre vivia alguém. A curiosidade da Branca de neve fez ela adormecer, ganhar o beijo do seu príncipe e acordar novamente. E todas elas viveram felizes para sempre.
Todos os males que passaram por causa das suas características as levaram para o seu felizes para sempre, assim como os nossos também podem nos levar para o nosso. Muito provavelmente você não vai se casar e morar em um castelo, mas vai ser feliz se estiver do lado de quem se ama e se souber aproveitar as coisas, afinal em nenhum conto de fadas diz o que aconteceu depois do felizes para sempre, vai que a princesa e o príncipe tiveram algumas brigas, tiveram que rachar as contas, mas a história deixa bem claro que foram felizes para sempre.
Ps.: E vale lembrar que os príncipes também não eram perfeitos, eram curiosos, atrapalhados e aprontavam algumas.
domingo, 6 de novembro de 2011
Vontade de passado
Hoje eu tenho certeza do quanto eu arruinei os planos que você tão docemente compôs para nós dois. Eu jamais soube retribuir carinhos e amores. É tarefa tão complicada para mim, e o pior é que eu sempre soube disso, mas resolvi me comprometer, assumir uma responsabilidade sabendo que não poderia cumprir. Você acreditou que eu poderia fazer isto, na verdade, você muito acreditou em mim em tudo. Que eu podia retribuir seu carinho e até me livrar daquela terrível doença – doença, termo que você usou! – alimentar.
As conversas eram infinitas, isso me irritava às vezes, você sempre queria saber como fora meu dia e conhecer sobre os sorrisos que dei, mas eu não gostava de conversar, tão acostumada com a minha própria companhia não sabia como viver em sociedade com você. Ou melhor, como deixar alguém viver em mim. Você queria invadir meus sonhos e pensamentos para proteger-me, mas eu não queria sua proteção, preferia manter aquela pose de tudo posso sozinha, vaza.
Eu pude sentir quando comecei a te perder. Eu te sentia mais longe a cada ligação sua que eu recusava por estar ocupada demais nos meus próprios pensamentos, cada mensagem que eu fingia não ler para não ficar com aquela cara boba no meio da aula, cada abraço e beijo negado na frente de um conhecido porque era demonstração demasiada de carinho. Eu não queria sentir a sua mão na minha a menos que estivéssemos entre quatro paredes. Idiota. Idiota, foi o que eu repeti para mim mesma quando tempos depois pude pensar bem e decidir que a culpa foi minha. E como culpada, optei por pagar pelos meus crimes. Você aceitou a pena, afastou-se de mim.
Melhor, eu te afastei.
Agora, entre lágrimas e papeis manchados, eu confesso que tudo que fiz para me “proteger” foram as coisas mais estúpidas que já fiz na minha vida. Não nego também a minha vontade de voltar ao tempo e poder ter teu coração novamente, sonhar contigo de novo e de novo e principalmente, sentir tua mão na minha, porque nunca mais encontrei proteção igual a dela.
quarta-feira, 2 de novembro de 2011
Um neologismo, por favor
Esse dúvida já não me deixa dormir, fico parada olhando para o meu quarto escuro que nada mais é do que um nada de noite, o sol parece que não vai mais nascer. Acompanho o relógio, ainda são só três da manhã. Será que não posso levantar-me logo e começar o meu dia? Não, não posso, tenho que esperar, ainda é cedo. Ou tarde demais para mim. O passado insiste em colocar a sua pesada mão sob meu ombro, continua implorando que eu dê apenas uma olhada, mas sei que não posso e por isso evito tais pensamentos. A minha mente continua vazia, mas dentro de mim há uma confusão enorme. Não é amor, sei bem disso. Mas também não sei o que é. Há uma confusão de cores e sabores, sentimentos e sonhos. De tudo e de nada. Isso sufoca. Não saber o que se passa dentro de si mesmo é uma das piores coisas do mundo. Espera. Talvez até dê para descrever. Olhe, é uma mistura de... De... Não sei.
- Um neologismo para definir o que se passa aqui dentro, por favor.
domingo, 16 de outubro de 2011
Leia isso, Idiota!
Olha, primeiro eu quero falar que não espero nada de você, não tenho esse direito, de chegar assim do nada e querer deixar tua vida tão bagunçada quanto a minha, mas não tá mais dando pra conviver com esse nó no peito, entende? Isso tá me tirando o sono e a possibilidade de seguir em frente, ou qualquer clichê do tipo.
As coisas acontecem de maneiras imprevisíveis e inacreditáveis, não foi exceção comigo, sou a regra, incorreta e incompreensível, mas sou a regra, eu escondi isso por muito tempo por não acreditar nisso. Aliás, quem poderia acreditar? Acho que nem você mesmo acreditaria na época, tão pouco sei sobre hoje, se acreditará ou não, mas a minha função é relatar os fatos e tentar desatar esse nó, antes que ele acabe me sufocando.
Acontece assim, como dizia Caio “Num deserto de almas também desertas, uma alma especial reconhece de imediato a outra”. Dá pra acreditar? Não digo que és uma alma deserta, desculpe-me se por um momento te fiz pensar isso, referia-me a outra parte. É, uma alma especial reconhece de imediato a outra. Não sei, não dá pra explicar, acontece que toda vez que te vejo, ou simplesmente penso em você, algo pressiona o meu coração.
É amor? Não sei, só Deus sabe.
Agora, se possível gostaria que tentasse me explicar como conseguiste deixar tudo fora do lugar assim. É que assim, eu achava impossível essa história de amor e todos esses clichês inéditos e deja vus nunca visto, mas a vida parece afim de me desmentir, entende? Acho que não. Não sou macumbeira nem nada do tipo, mas tenho sentimentos, sei que no momento deves te sentir tão confuso. “Por que essa louca me manda ler uma coisa dessas?” Sim, eu sei que falei que teríamos uma conversa, falada, mas sou assim, feita de palavras. A arte mais inexpressiva para alguns me é alimento diário e conforto quando a minha boca não tem coragem de dizer o que se passa no meu coração.
Posso simplificar? Olha, é assim: Eu me lembro do seu rosto, do seu cabelo, do seu sorriso e olhar e começo a sorrir feito boba, é como se fosse automático, mas como se de algum modo, só você pudesse ativar. Confuso. Mas eu seguida eu lembro que tão longe estás fisicamente e mentalmente, que nunca te passa pela cabeça a ideia do meu sentimento, aí eu começo a despedaçar. É como se eu fosse uma criança e me tirassem meu doce. Dói.
Conseguiste compreender ou baguncei tua cabeça também? Peço-te desculpas se o fiz. Eu só queria tentar me livrar desse nó horrível.
Se não tiveres nada a me dizer, te imploro: ignora esta, finge que esta louca jamais te entregou este papel para ler. Fazes tudo, mas não me privas da tua amizade, por favor.
quarta-feira, 12 de outubro de 2011
Dia das crianças
Hoje guardo boas lembranças de um tempo que a minha única preocupação era em perder a hora do desenho animado, não porque havia demasiado trabalho ou porque o trânsito era intenso, simplesmente porque eu costumava dormir demais. Não faz tanto tempo assim, mas a nostalgia já pesa bastante para machucar meu coração. Eu nunca quis crescer, mas foi necessário. Ainda guardo bastante coisa, desde hábitos até brinquedos, sou uma eterna criança, mas não é a mesma coisa.
Já faz muito tempo que meu pai não tem mais forças para me carregar no colo, faz muito tempo também que os amigos da minha rua não brincam de "corte" até altas horas das dez da noite, quando um grito cortava o ar, era hora de ir para casa tomar banho. Quando eu era menor, eu e meus amigos costumávamos pegar cabos de vassoura, quebrar ao meio e assim ganhar duas espadas. Estávamos prontos para a luta, éramos guerreiros que tinham que defender a humanidade. Ou era simplesmente grandes jogadores de tacobal, dependia da imaginação do dia.
Eu já fui espiã, fui jogadora de futebol, lutadora, ninja, jogadora de vôlei, já estive na terra, na água, no fogo, e até no ar. E nos dias que a imaginação estava rara nós simplesmente pegávamos uma sacola de plástico e jogávamos ao vento, quem pegasse-a primeiro tinha o direito de jogá-la para outro pegar. E assim era por horas, até escurecer, até quase cansarmos - criança de verdade nunca está cansada de brincar. Ou então fazíamos bolinha de papel e jogávamos no telhado da minha casa, ficávamos esperando a bolinha cair para jogarmos de novo. Sem lógica, né? Mas era só felicidade.
Hoje em dia vejo "crianças" - Desculpem-me pelas aspas, mas para mim essas criaturinhas não são crianças! - de dez anos saindo para festas, bebendo, fumando, e tudo isso escondido dos pais. Sem permissão. Sou da época que se eu queria assistir um filme da Tela Quente - Que começava por volta de 22:30 - eu tinha que pedir permissão para os meus pais, e se não deixassem eu ficava caladinha e ia dormir sem chorar.
Ah... Sei que não há idade para um amor, mas acho realmente estranho vendo menininhas de dez anos chorando por causa de um coração partido, no meu tempo, que não é muito tempo atrás, nós não chorávamos de noite, sabe por que? Porque a gente tinha medo do boi-da-cara-preta aparecer! Porque diziam que esse boi aparecia pra quem chorava de noite.
Eu sei até hoje cantar todas as cantigas de roda, sei cantar "atiraram o pau no gato" e sei também "marcha soldado cabeça de papel", e eu realmente me preocupava em marchar direitinho, tinha medo de ser presa no quartel. Sempre fui a mais velha do grupo de amigos, então tudo que eu aprendia eu ensinava para eles na brincadeira de escolinha, e eu me sentia feliz imitando minha professora, porque ela era digna de respeito e admiração.
Eu não tinha notebook, celular, Ipad, nem nada disso, mas tinha meus livros de conto de fadas, tinha meus lápis de cor, tinha as brincadeiras todas as tardes após a escola. E isso nunca me matou, muito pelo contrário. Eu cresci bem, isso me fez apaixonar por palavras, me fez amar artes e me fez crescer feliz sabendo que tinha meus amigos.
domingo, 9 de outubro de 2011
A Fine Frenzy, conhece?
Ali na nossa descrição tem o nome de uma cantora, mas você sabe quem é?
Fine Frenzy, na verdade é a música de Alison Sudol. Nascida em Seattle é filha de pais professores de artes dramáticas, Alison se mudou para Los Angeles quando tinha cinco anos, logo após a separação dos pais. Na mesma época começou a ouvir música clássica, como Aretha Franglin, Ella Fitzgerald e Swing, além de filmes Technicolor e televisão clássica da década de 50.
domingo, 2 de outubro de 2011
My sweet bird
Eu preciso que você pare o tempo novamente só para nós dois, preciso de um toque que só você sabe como é, preciso do olhar consolador que só você tem. Hoje de manhã, eu acordei com aquele vazio que há vários dias tem estado dentro do meu coração. Ao entrar no banheiro, me olhei e espelho e adivinha? Sua imagem apareceu atrás de mim, eu tentei tocar, usei todas as minhas forças para te ter do meu lado. Acabei me ferindo, mas a dor física não é nada comparada a falta que você faz, my sweet bird.
Tudo parece tão pesado sem você para me ajudar a carregar, as pequenas dficuldades agora parecem grandes muros, mais difíceis de superar. As coisas parecem paradigmas sem solução, paradoxos sem fim.
Nuvens escuras estão sob o nosso céu, parece que vai cair uma tempestade daquelas. Você ainda tem medo de chuva? Há muitas coisas que não sei mais sobre você, parece que perdi os capítulos mais importantes da sua vida e fiquei de fora das melhores fotografias, qual de nós dois deixou isso acontecer, my sweet bird?
My sweet bird, a monotomia nunca me fez feliz, a escuridão nunca foi um abrigo confortável e sua ausência nunca será aceita. Sei que não posso querer mandar na sua vida, dizendo se você deve ir ou ficar, mas entenda: Nós intensificamos demais, sentimos demais. Isso tudo é conseqüência, só não lembro qual erro ocasionou essa distância.
My sweet bird, eu respiro amor e transbordo sentimentalismo barato. Ganho abraços, mas você ganha meu coração.
quinta-feira, 29 de setembro de 2011
Uma carta muito importante
Querida,
Como você está? Não diga que está bem, eu sei que você não está, menina. Sei do tamanho do vazio que você trás dentro do seu coração, sei da dor que você sente todos os dias, sei quantas lágrimas você derrama esperando que ninguém as ouça. Conheço muito bem os arrependimentos que você trás no coração, mas olha bem, querida, não faz muito bem para a saúde. Você deu o seu melhor, não foi suficiente porque não era pra ser. Siga em frente, por que você não dá uma chance àquele menino que sempre sorri para você? Por que você não responde o bom dia daquela menina que tenta fazer amizade com você? Me responde, por quê?
Tenta dar uma nova chance a sua vida, minha querida. Você sempre foi tão alegre e amava treinar, por que não faz mais isso? O que aconteceu com as folhas que enchiam suas gavetas e os vários lápis e canetas coloridas que ocupavam sua mesa? Onde você descarregou as fotos que ocupam memória da sua câmera? Se é que você descarregou. Você deletou, não foi? Por que anda desistindo das coisas que você ama? Porque uma ou duas coisas não deram certas? Minha querida, não faça isso.
Vou te dar umas dicas! Primeiramente, pare de carregar o mundo nos ombros, você é forte, mas não é a mulher maravilha, pare de carregar todos os problemas e sentimentos do mundo, você não precisa. Minha querida, você só precisa de você. Pare de esperar que ele volte a sua vida para seguir em frente, e se for querer alguém, novamente lhe digo, pense no menino do sorriso. Se permita amar de novo.
Eu te desejo toda felicidade do mundo, toda doçura para a menina da minha vida.
Assinado: Eu, você, nós.
quarta-feira, 28 de setembro de 2011
Segure minha mão, não me deixe ir
Fique mais um pouco, ainda temos muito que conversar, ou então fique em silêncio, tudo resultará na sua companhia e é isso que me importa. Você não tem noção do quanto o toque da sua mão acalma meu coração, é incrível. Você nunca imagina o poder que tem sobre mim, e todas as minhas tentativas de te explicar foram em vão, você acha que é superficialidade e vontade de te ter pra sempre. No fundo é vontade de te ter pra sempre mesmo, mas que seja você e seu comando sobre mim. Você lembra da nossa primeira troca de olhares? Eu sei que você não lembra, mas eu lembro, porque naquele dia eu fiquei sabendo que nossos caminhos tinham que se cruzar, eu sabia que aquele aperto no peito não era por nada. Por muito tempo eu te observei de longe, escrevi sobre todas as vezes que você me dirigiu o olhar ou a palavra, sonhei com cada chegada na escola, mudei meus horários para encontrar com os seus. Eu sempre soube que não podia ser em vão. Entre tantas coisas boas e ruins que aquelas quatro paredes, que chamam educadamente de escola, me proporcionaram, a sua companhia, sem dúvida, foi a melhor delas. O seu abraço, conseqüência de você estar do meu lado, foi a melhor sensação que senti em meses e sua mão sobre a minha foi a maior forma de calma que arranjei. Eu te peço, fiquei mais um pouco, segure a minha mão e não me deixe ir.
quarta-feira, 21 de setembro de 2011
Vem, primavera!
Dizem que quando nosso aniversário se aproxima é comum as pessoas ficarem mais pensativas e um pouco tristes quando pensam em todos os anos que já se passaram. Eu tenho certeza de que sou diferente, não fico um pouco pensativo, dedico meu todo a me criticar e entro praticamente em depressão. Por isso, parei hoje para desabafar em palavras tudo o que se passa.
Lá se vão dezesseis anos e sonhos que eu ainda não realizei. Mudar o mundo, meu grupo de artes, o Utopia Estudantil, amigos, um amor e ser feliz. Nossa, são coisas que eu sempre quis e elas foram se ramificando com o tempo. Nunca tirei da minha cabeça a idéia de mudar o mundo, nem vou, mas já mudei um. O meu. E preciso confessar, foi uma das melhores coisas que já fiz na minha vida, larguei aquele pessimismo nojento. Não, não virei otimista, mas pelo menos aprendi a ter mais confiança nas coisas. Olha só, quem vai amanhã pra reunião do Verbalize-se? Pois é, é meu grupo de Artes surgindo. O Utopia foi uma das melhores realizações do meu ano, os amigos surgiram com ele, alguns longe, mas dentro do coração. Sou feliz. E o amor? Deixa ele pra lá.
Eu sempre quis uma daquelas casas de bonecas das grandes, sabe? Que a gente pode praticamente entrar dentro e brincar com as bonecas. Sempre quis manter um diário. Hoje em dia, eu tenho condições de ter minha casa de bonecas do tamanho que for, mas já não é algo tão desejoso. E o diário é um plano largado por falta de tempo. Não tenho tido tempo desde que as pessoas começaram a dizer que eu cresci, eu acho que com o tempo passei a acreditar nisso, sabe...
Eu escrevo isso aqui em quanto o sol vai embora, levando consigo mais um dia que eu tenho certeza que poderia ter feito mais. Eu queria ter pagado um mico daqueles chorando na frente de todo mundo hoje, porque deu vontade de chorar, mas eu segurei. Já se foram dezesseis anos de por-de-sois que eu penso: “Poderia ter feito mais. Muito mais.”
E nesses dezesseis anos de vida? O que mais eu poderia ter feito? Poderia ter me esforçado e ficado rica, não podia? Mas não é isso que me interessa, dinheiro nunca me interessou. Que bem a mais eu poderia ter feito? Poxa, aquele cego tava precisando de ajuda para atravessar a rua, mas a Lei Escoteira diz que é necessária uma boa ação e por preguiça vou levar ao pé da letra.
Eu tenho medo. Muito. Medo que eu continue completando anos com a incerteza do bem que fiz e das verdades que construi. Mas faltando apenas um dia para o meu querido aniversário, eu desejo que isso mude. Meu aniversário é dia vinte e três, trás consigo a primavera em alguns países, que traga também no meu coração.
segunda-feira, 12 de setembro de 2011
Desabafo: Cadê os jovens de valores?
Eu me sinto mal todas as vezes que a palavra injustiça sai do dicionário e é colocada em ação pelo ser humano, logo, deduz-se, que me sinto mal muitas vezes. Eu realmente não gosto de injustiça, mas gosto muito menos de gente que aceita a injustiça. Que se conforma, que se acomoda. Pra ser sincera, não gosto nenhum pouco de gente assim.
O sangue corre muito quente pelas as minhas veias e não consigo ficar parada enquanto a situação está complicada, não consigo ficar calada enquanto os corruptos, injustos, que maltratam animais, falam. É, é uma coisa minha e não consigo mudar. Na verdade, nem pretendo mudar isso.
Já fui a única a vaiar uma pessoa que se diz Presidente de uma Entidade “Estudantil”. Sou chata, e não gosto de funk, mas isso não influenciou minhas vaias quando ele foi distribuir convite para uma festa do tipo. “Coitadinho dele!” Foi o que minha colega de turma disse quando eu vaiei e me recusei a aceitar o convite. Coitadinho dele? E como ficam os estudantes que tem pessoas assim como representantes? E como fica o prédio estudantil que está jogado, abandonado? Como que fica esse preço absurdo da passagem?
Uma coisa é você ser um acomodado na sua casa, outra bem diferente é você ser um acomodado que leva vários jovens com você. Uma coisa é você ser um acomodado que não limpa seu quarto, outra muitíssimo diferente é você se responsabilizar a cuidar de um bem estudantil e abandoná-lo.
Ah, mas isso é trabalho pro Governador. Ele que reforma e não reforma. Mas, oi? E quem que deve correr atrás disso? As coisas só são feitas quando corremos atrás.
É preciso mais jovens que estejam dispostos a correr atrás de seus sonhos, correr atrás dos seus direitos e fazer valê-los! As pessoas dizem que é utópico demais da minha parte, eu sei que talvez eu não mude o mundo, eu sei que talvez dez anos após minha morte, ninguém mais se lembre de mim. Mas não é por isso que vou ficar parada. Não vou mudar o mundo, mas fazendo minha parte, já sairemos de onde estamos. E cá entre nós, qualquer situação, é melhor do que essa.
Quem me conhece, sabe, quem não conhece, fica sabendo, sou muita chata com essas questões e ultimamente tenho ficado muito chateada. Vejo meus amigos desistindo de lutar, vejo os estudantes nem aí para seus direitos. Me sinto uma voz sozinha gritando.
domingo, 11 de setembro de 2011
E que se acabe o meu mundo encantado, podem cair às cortinas. Eu ainda quero muito acreditar que tudo vai acabar bem como você me diz, eu quero muito acreditar nas suas mentiras, eu queria poder voltar a ser aquela garota cega que te amava sem precedentes, eu sofria menos, porém estava cavando minha própria cova. Ei garoto, eu te amo muito sabia? Eu daria minha vida por ti, nada no mundo me faria mais feliz do que poder te ter nos braços e te chamar de meu novamente, não há palavra que explique como os teus beijos e abraços me fazem bem. O problema só está sendo a falta de sentimento, não digo da minha parte, eu te amo, agora você não sente o mesmo eu sou apenas uma garota que você se dá bem. Entendo-me uma vez, eu estou quase chegando ao ponto de te implorar pelo olhar o teu amor... Não é correto te pressionar, eu sei, mas a cada minuto que passa eu só consigo te amar mais e mais. Eu li em algum lugar que todos nos merecemos uma segunda chance, é eu preciso da minha. Estou ao ponto te desisti do que mais quero, porém não por ser fraca ou por falta de amor e sim por essa ferida está doendo demais, não consigo suportar essa dor aqui. Se eu te tivesse eu seria feliz... Lembra de quando você costumava me amar? É daquilo que eu preciso, é daquilo que eu sinto saudades, me avisa quando resolver devolver minha felicidade, enfim, você caiu na real, descobriu que aquele “amor” se acabou pra você e eu boba continuei e continuo aqui te esperando...
quinta-feira, 8 de setembro de 2011
Um hospital especial
“Socorro! É uma emergência! Ela parou de sentir, ela parou de entender seus sentimentos!” Era o que a enfermeira gritaria quando eu adentrasse a porta daquele hospital especial. Sim, parei de sentir, ou pelo menos de entender os meus sentimentos. Mas creio mais na primeira opção.
Sempre senti todos os sentimentos do mundo sem nunca tê-los sentidos. Dá pra me entender? É confuso, eu sei. Mas esse eu - lírico que vive dentro de mim já experimentou até a morte. E posso lhe afirmar que ela foi bem recente, foi no momento que parei para pensar, sentir, escrever e nada fez sentido. Nenhuma palavra de amor, nenhuma de decepção, nenhuma de felicidade, nenhuma de tristeza. Corri por todos os corredores do me corpo, tentei sentir com o coração e com a mente, nada saiu. Doeu muito.Talvez você pense que me sinto vazia, mas não é exatamente assim. Sinto-me incompleta, sabe? Nunca gostei de metades, me sentir uma, então, é algo tão sei lá. Para aqueles que (sobre)vivem de sentir, isso é algo que machuca.
Melhor dizendo, é algo que de inicio, machuca muito. Depois se torna insuportável.
E eu continuo atrás desse hospital especial. Um hospital para os doentes de alma, de espírito, e de coração. Mas não me refiro a aquele com átrio esquerdo e direito, me refiro a aquele que dói sem doer.
Se alguém souber onde ele fica, peço que me passem o endereço, porque eu preciso da cura.
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